
Espremedor de laranja de Philippe Starck
Com o lançamento do trabalho seminal de Donald Norman “Emotional Design” em português, surgem diversas dúvidas. Como mensurar emoções, ou pelo menos como avaliar quais impactos emocionais de um produto ou serviço?
Mas quanto às metodologias disponíveis?
Kansei Engineering segundo o artigo “Kansei Engineering, linking emotions and product features” escrito por Grimsæth (2005), é um método de avaliação de design emocional voltado para produtos. É possível avaliar o impacto emocional de produtos através de palavras, resposta psicológica (batidas do coração e análises fisiológicas), comportamento e expressão facial ou corporal. A forma mais comum de avaliação é através das palavras que revelam elementos do Kansei. As palavras de Kansei estão relacionadas às propriedades de um produto e podem ser avaliadas através de questionário. As palavras Kansei definidas por Nagamachi (1997) chegam a mais de 600. Grimsæth (2005) agrupa os termos, o que resulta em 25 termos simples. As palavras finais são: poder, divertido, clássico, robusto, pessoal, tradicional, agressivo, liberdade, plástico, convicção, confiança, limpo, exclusivo, funcional, elegante, estético, seguro, fresco, ergonômico, profissional, moderno, controle, estilo de vida, valor, futurístico. Em termos práticos essas palavras podem ser colocadas para que os(as) usuários(as) façam ligação entre elas e áreas específicas de uma interface, serviço ou produto.

Avatares do PrEmo
Um método bem interessante é o uso de avatares. A PrEmo criada por Pieter Desmet na Universidade Técnica de Delft é uma delas. PrEmo é voltado para produtos e usa 12 avatares animados e sonorizados, que podem ser utilizados em focus groups, pesquisas qualitativas e questionários.

LEMTool e sua interface
LEMTool (Layered Emotional Measuring Tool) é distribuída pela mesma empresa, a SusaGroup, a diferença é que a LEMTool é voltada para produtos web. A grande vantagem é que toda interação pode acontecer como em um teste tradicional de usabilidade (recomendo ler o livro design de interação para entender a metodologia). Você cria seções no seu protótipo onde a interação com o LEMTool acontece em seguida uma camada é aberta sobre o site com o menu circular abaixo que possui uma escala de 1 a 3. Perfeito para análises que extrapolam a funcionalidade e usabilidade.
Outra maneira mais complexa de analisar é através de padrões de comportamento. Se você já conduziu um teste, sabe que tem expressões que se repetem como franzir a testa, olhar para o alto, afastar-se do objeto, respirar fundo, etc. Algumas dessas expressões já foram catalogadas num artigo da Universidade de Lancaster na área de IHC (Interface Humano-Computador) enumera 10 heurísticas para avaliação emocional, o artigo está aberto para download. Isso pode ser feito em um teste de usabilidade tradicional também.
Mensurar o envolvimento emocional é algo de qualquer forma bastante complexo e bem mais subjetivo que um teste de usabilidade, por exemplo. No entanto, além das metodologias levantadas aqui, há tantas outras como personas, pesquisa etnográfica, moodboards e outras que já nos permitem avaliar questões emocionais.
Questões éticas
Com o design emocional também surgem diversas questões éticas que não são abordadas no livro, mas que acho de extrema importância. O design emocional tende a culminar no consumismo, já que o prazer é um dos pilares principais do design emocional. Por outro lado está claro que o consumismo é hoje uma das maiores “valas” que a civilização já criou, é o ritmo de consumo que tem destruído o meio ambiente e tornado as pessoas cada vez mais obcecadas.
Por outro lado, a dimensão do reflexiva do design emocional é aquela que promove também envolvimento, sentimento de comunidade, entre outros aspectos. Ela tem a ver com escolhas conscientes, como gerar menos lixo, comprar orgânicos, ter produtos duráveis, etc. Este semestre fiz uma pesquisa que ilustra isso, que busca traçar a relações emocionais na escolha do software livre. Em breve postarei aqui os resultados da pesquisa.
O caminho do design emocional, portanto, é um caminho que os(as) designers devem traçar com cuidado. Frederick Van Amstel escreveu um pouco sobre isso no seu blog.