Archive for the ‘Design de interação’ Category

Reactable
Diversas vezes as pessoas me perguntam sobre cursos de design de interação, experiência, arquitetura da informação e usabilidade. Fiz um post sobre cursos um tempo atrás, mas no Brasil ainda são raras as iniciativas.

Quem mora em Belo Horizonte ou se dispõe a ficar um pouco mais de um ano por aqui, tem a oportunidade de fazer uma pós-gradução na Puc Minas. O curso oferecido pela instituição tem uma grade bem completa, com excelentes professores com experiência nacional e internacional, além de é claro ter a qualidade dos cursos da Puc.

Nesta que será a quarta turma, assumirei a disciplina de prototipação. Meu plano de aula, além de incluir prototipação em baixa fidelidade (ex: papel), também inclui prototipação funcional em computação física com as técnicas de software e hardware livre que exploro nos meus experimentos.

Quem se interessar deve correr e se inscrever até o dia 18 de Fevereiro 2010, informações completas no site da IEC-PUC. Aproveite e conheça o site do curso.

Como havia prometido, vou manter aqui alguns relatos do projeto Domus, desta vez resolvi editar um vídeo curto mostrando como foi nossa primeira fase de pesquisa e coleta de padrões de movimento. Nosso propósito nesta fase foi criar um framework para capturar os dados de movimentos usuais em circos, capaz de gerar um log gráfico e com números sobre o posicionamento do Wiimote. Com esses dados gravados no formato WAV em múltiplos canais conseguimos utilizar mais tarde esses dados até para geração de simulações em 3D dos movimento dos atores.

Outro objetivo nesta fase foi identificar nos movimentos dos atores formas mais coerentes e convenientes de se utilizar o wiimote, percebemos que é possível utilizar o wiimote em barras e malabares, sem ter muito problemas com equilíbrio. Por outro lado encontramos barreiras como o pouco alcance do bluetooth, sendo assim necessário a instalação de uma antena capaz de amplificar o sinal bluetooth. Percebemos também que os movimentos mais bruscos são facilmente identificáveis nos gráficos, enquanto os mais constantes geram padrões bem definidos que podem ser utilizados para algoritmos de gestures. Sendo assim, decidimos que os movimentos poderão a princípio ser usados de acordo com sua velocidade, intensidade e gestos específicos também poderão ser utilizados para disparo de samples pré-definidos.

O vídeo abaixo ilustra um pouco como o framework de captura funciona. Ele foi desenvolvido pelo André Veloso em Pure Data e Glovepie, ambos softwares livres muito poderosos. O Gloove Pie se conecta aos controles wiimote e repassa os dados em OSC para o Pure Data que gera os logs em WAV de multipistas.

Já tem um tempo que estou envolvido neste projeto, então resolvi escrever um pouco sobre ele aqui no blog.

Este projeto está sendo desenvolvido porque recebeu o prêmio Interações Estéticas: Residências Artísticas em Pontos de Cultura 2009 da Fundação Nacional de Artes (FUNARTE).

A idéia é criar situações onde movimentos e atitudes dos atores e também do público possam alterar os sons, música do espetáculo. Algo que já fizemos de forma mais simples na performance do Conjunto Vazio no MIP2.

O projeto, porém, não se limita a questões da interatividade. O próprio local do espetáculo é fruto de um outro trabalho de pesquisa com construções de bambu, que são naturalmente mais ecológicas e permitem a construção de ambientes “penetráveis”. Neste caso foi contruído um Domo Geodésico, como na ilustração deste post. Neste domo atores e o público poderão assistir ao espetáculo.

Nossa proposta inicial inclui sensores baseados em arduino, câmeras de visão computacional e controles do wii, como wiimote, nunchuck e wii balance board. O projeto ainda em fase de pesquisa está na coleta de informações. Para isto foi construído um framework que irá coletar dados de movimentação dos atores que posteriormente serão analizados para o desenvolvimento de gestos (gestures) e em varíaveis para alteração de som e iluminação.

No final do projeto será gerado uma documentação livre que poderá servir de referência para construção de espetáculos. Além disso todo código será disponibilizado via licensa GNU/GPL ;)

Neste projeto está envolvida uma grande equipe dirigida pelo Jaime Rodrigues, além de mim e do Marcos Paulo como designers de interação. E do André Veloso como desenvolvedor chefe.

Interessante  essa proposta de desktop multitouch. Por um lado se preocupa bastate com ergonomia, mas por outro peca a continuar no modelo de interação mouse e teclado. Não que eu tenha uma resposta melhor nesse momento, mas creio que a função multipropósito (um mesmo tipo de hardware para vários tipos de software) esteja morrendo aos poucos e que dispositivos específicos para funções específicas tendem a ganhar espaço.

Se alguém te perguntasse se conseguiria prestar atenção no que está fazendo, você diria “tudo bem”, mas imagine que tem que prestar atenção em uma coisa e outra ao mesmo tempo. Estudos de psicologia cognitiva dizem que possuímos uma carga bastante limitada de atenção. (Os livros design do dia-a-dia e design de interação reservam seções específicas para este estudo.)

Como podemos projetar experiências que considerem esta limitação cognitiva? Aqui vão alguns pontos:

  • Mantenha a interface simples, minimalismo e economia.
  • Deixe as pessoas focadas na menor quantidade de tarefas possível, se necessário separe em passos diferentes uma mesma tarefa.
  • Hierarquize bem a informação. Se houver uma tarefa principal e as outras secundárias, deixe isso visualmente (ou sonoramente, etc) claro.
  • Deixe claro os padrões para ações diferentes. (ex: na web deixe links sempre em uma mesmo estilo ou no máximo dois diferentes, diferencie bem estes estilos do texto padrão).

Separei dois vídeos que exemplificam nossa limitação. Ao mesmo tempo são testes. Quer tentar descobrir o “algo mais” que você não prestou atenção? (Tudo bem o segundo é mais uma brincadeira com ilusão de ótica) Vai lá…

Desde o dia 30 de Setembro o Google está liberando alguns convites para o Google Wave. Enquanto isso, resolvi colocar aqui minhas primeiras impressões sobre o software.

A interface tem aqueles fundamentos do Google que tanto fazem sucesso. É rápida, bonita, sem destrair o olhar e dessa vez bastante inovadora e ousada nos estilos de interação. Botões que abrem campos ocultos, links nos rodapés dos waves para gerar replies, scroll baseado no Picasa, entre outros detalhes.

O Gmail funciona em exatidão de minutos ou segundos, o Wave funciona praticamente em tempo real, criar um wave e ir adicionando amigos é muito divertido e me pareceu ser algo bem menos “pesado” psicologicamente que escrever um email. Me pareceu mais humano também, já que se escolhe as pessoas pelas fotos e não por endereços @. Ah! não procure por Gtalk ou email, Wave é Wave, eles não estão presentes no Wave, não existe mais distinção entre chat e email neste caso, porque tudo acontece em tempo real. Enquanto um email é estático, um wave é um work in progress pra sempre, você pode adicionar jogos, imagens, comentários a um wave, tudo sempre em tempo real.

home

Página inicial

Uma coisa que estranhei foi o scroll utilizado. É um modelo semelhante ao utilizado no aplicativo do Picasa. Me pareceu bem estranho e não consegui ainda ver vantagens no uso do mesmo.

As extensões ainda são poucas, mas já dão uma visão do que poderá ser feito do Wave daqui para frente. Gostei muito da extensão abaixo para convidar amigos para eventos. Outras disponíveis incluem mapas, video conferência, sudoku e clima. Essas extensões permitem a realização de decisões em conjunto de forma rápida e em tempo real. Lembrando que o Google liberou uma API para o Wave, onde qualquer pessoa pode criar seu aplicativo. Imagino que daqui uns meses será possível criar focus groups, apresentações online e design participativo usando a ferramenta. Com certeza vem muita coisa inovadora por aí. :)

aplicativo

Extensão muito útil para utilizar em reuniões ou encontros

Quer ver mais? Solicite seu convite e veja o vídeo de demonstração abaixo.

Taí um projeto que me orgulho de ter feito parte. Trabalhei na direção de arte e design de experiência do player web, aplicação iPhone e na customização de redes sociais. Um belo case de inserção digital de uma banda já consagrada. O que rendeu o prêmio de iniciativa na Multishow.

Seção de Card Sorting dentro de uma seção de Work Sorting

Sessão de Card Sorting dentro de uma sessão de Work Sorting

Eu tenho trabalhado em parceria com o amigo Marcos Paulo em consultorias em Design Centrado no Usuário. Nestes projetos já enfrentamos muitas barreiras, já que a disciplina ainda é relativamente nova muitos clientes têm uma certa resistência em incluir DCU em seus projetos. Isto de uma forma ou de outra conseguimos contornar apresentando estudos de ROI (Retorno sobre o Investimento) e explicando a importância do design de interação.

Um outro problema recorrente é a falta de verba – ou ausência da mesma :/ . Já existem pessoas pensando em métodos agile de design de interação, mas mesmo assim muitas vezes o custo ainda pesa. Pensamos então em adaptar uma técnica que pudesse no mínimo possível de tempo levantar a maior quantidade de requisitos possíveis. Decidimos que precisávamos criar uma nova. Juntando idéias, chegamos no Work Sorting.

Ok, mas como realmente funciona o Work Sorting?

Work Sorting é um técnica desenvolvida para projetos de pequeno porte, que objetiva levantar o máximo possível de dados em poucas sessões e com a participação de voluntários simultâneos. A técnica é um misto entre entrevistas não-estruturadas, grupo focal, card sorting e design participativo.

A técnica é dividida em três partes:

  • A primeira parte consiste em um quebra-gelo, onde são feitas perguntas sobre o perfil de cada usuário e são levantadas algumas questões sobre o uso do produto em questão.
  • A segunda parte consiste na realização do card sorting, onde cada participante organiza individualmente as cartas de conteúdo e cria grupos onde estas cartas devem permanecer. O card sorting é individual, porém é realizado num grupo de foco, simultâneamente. Os participantes podem trocar experiências, mas mantendo suas decisões pessoais. O card sorting tem o papel de entender como o usuário imagina a arquitetura de um produto.
  • Na terceira e última parte o participante é convidado a desenhar algumas telas, escolhendo 2 a 3 grupos, incluindo a página inicial. Este desenho é um rascunho esquematizado, onde são observados alguns interesses e preferências do usuário.

Aí está o vídeo gravado ontem na minha palestra na Quinta Digital. O Quinta Digital é uma iniciativa muito legal do Alexandre da Bolt de trazer discussões sobre o mundo digital e comunicação, ontem estavam presentes 55 pessoas, um público ótimo para o espaço. Aguardo críticas e sugestões. Lembrando que a Quinta Digital continua, vem aí ainda mais três palestrantes este ano 1 de Outubro Matt Montenegro, 5 de Novembro Simone Nogueira e 3 de Dezembro Luli Radfahrer.

Tenho notado problemas graves de interação e usabilidade em academias, ao mesmo tempo andei pensando em algumas soluções que gostaria de compartilhar com os(as) leitores(as) deste blog. Como na verdade a lista foi ficando muito grande, então resolvi colocar apenas um item.

anilhas

Um tipo de anilha com boa usabilidade.

Confusão com anilhas
As anilhas – aqueles pesos de montar – têm sérios problemas de uso. Geralmente são feitas totalmente em metal e o seu peso vem inscrito em alto relevo. Não há diferenciação de cor e alguns possuem tamanho bem próximo. Como pessoas baixas, altas, magras e gordas manipulam os pesos, há problemas na hora de pegar os pesos, já que muitas vezes não possuem boa conformação para serem pegas à mão. Em muitos momentos as pessoas também precisam pegar uma anilha que não está no seu raio de visão, ou seja, elas não conseguem ler o valor impresso no peso. Os descansos também só tem números impressos que muitas vezes ficam escondidos e impossíveis de ler.

Minha sugestão: diferenciar pesos por cores. Cores mais frias e claras são pesos mais leves, cores mais escuras e quentes são para os pesados. Além disso poderia se diferenciar pesos por textura. Texturas finas para leves e texturas grossas para pesados. Isso é apenas uma observação, sem uma análise profunda, com certeza se fosse dedicado tempo a pesquisar este tipo de artefato inúmeros novos problemas apareceriam. As anilhas da foto são muito boas, têm boa ergonomia e cores diferenciadas. O problema é que as cores são aleatórias e o suporte poderia ter pinos com cores diferentes também, assim o peso vermelho deveria encaixar no pino vermelho.

Isso é só um exercício que demonstra como o design de interação pode ir além da web, e mesmo fazer parte também do desenvolvimento de produtos analógicos e para serviços. Apesar que pensei em uma solução de realidade aumentada nos espelhos que seria fantástico, facilitaria e tornaria mais prazeirosa a malhação :) Mas, isso já é outra história.

A revista Webdesign desse mês aborda a Análise Heurísitica, uma técnica de inspeção de usabilidade muito utilizada por designers de interação. Vale a pena dar uma olhada na edição que conta com a participação de duas pessoas daqui de Belo Horizonte: Karine Drummond e Eduardo Loureiro. A reportagem mostra as vantagens da aplicação da técnica e os claros retornos (ROI) que esta oferece. A AH é mais econômica do que os testes com usuários, mas que também possui suas limitações, que são discutidas na matéria. Dá uma passada na banca e pega lá.

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