A revista XRDS publicada pela ACM está com uma edição sobre o futuro da interção. Com uma série de textos sobre interfaces tangíveis, interface cérebro-máquina, computação física e computação pervasiva. A revista ainda conta com um perfil do professor Hiroshi Ishii, professor da MIT Media Lab, pioneiro em diversos conceitos desta área.
Coincidência ou não, deixo aqui uma palestra do John Underkoffler da MIT Media Lab, recentemente no TED.
Finalmente a versão final da instalação Poesia Congelada no cento e quatro.
SOBRE POESIA CONGELADA
Marginalia Project
O sujeito que, munido de cubos de gelo, congela sílabas, construindo signos imprecisos.
Em uma proposta imbuída de características lúdicas, Koji Pereira convida o visitante da instalação interativa Poesia Congelada a empreender uma batalha de pequenas proporções contra as regras internas de seu sistema computacional de criação de poesias semi-randômicas. Semi- por ser somente parcial o descontrole do sujeito. Neste jogo, em sua tentativa de sobrepujar a evolução das sílabas – que se sobrepõem umas às outras rapidamente – buscando encerrá-las em signos, o sujeito é por vezes bem sucedido, e em outras ocasiões se vê à mercê de um fluxo sempre constante que dá lugar à imprevisível ocorrência do acaso.
Essa interface efêmera – o gelo que lentamente derrete respondendo ao toque com as mãos e com a superfície de projeção – é a ferramenta com a qual se constróem escrituras; o lugar do erro, da imprecisão, é o mesmo onde se manifesta o acaso . O vir-a-ser-texto que foge ao controle e sutilmente extrapola os limites do vernáculo apresentando ao visitante pequenas poesias de inspiração dadaísta, resultado de sua paradoxal empreitada em que a cada instante se luta contra e a favor deste sistema.
Diversas vezes as pessoas me perguntam sobre cursos de design de interação, experiência, arquitetura da informação e usabilidade. Fiz um post sobre cursos um tempo atrás, mas no Brasil ainda são raras as iniciativas.
Quem mora em Belo Horizonte ou se dispõe a ficar um pouco mais de um ano por aqui, tem a oportunidade de fazer uma pós-gradução na Puc Minas. O curso oferecido pela instituição tem uma grade bem completa, com excelentes professores com experiência nacional e internacional, além de é claro ter a qualidade dos cursos da Puc.
Nesta que será a quarta turma, assumirei a disciplina de prototipação. Meu plano de aula, além de incluir prototipação em baixa fidelidade (ex: papel), também inclui prototipação funcional em computação física com as técnicas de software e hardware livre que exploro nos meus experimentos.
Como havia prometido, vou manter aqui alguns relatos do projeto Domus, desta vez resolvi editar um vídeo curto mostrando como foi nossa primeira fase de pesquisa e coleta de padrões de movimento. Nosso propósito nesta fase foi criar um framework para capturar os dados de movimentos usuais em circos, capaz de gerar um log gráfico e com números sobre o posicionamento do Wiimote. Com esses dados gravados no formato WAV em múltiplos canais conseguimos utilizar mais tarde esses dados até para geração de simulações em 3D dos movimento dos atores.
Outro objetivo nesta fase foi identificar nos movimentos dos atores formas mais coerentes e convenientes de se utilizar o wiimote, percebemos que é possível utilizar o wiimote em barras e malabares, sem ter muito problemas com equilíbrio. Por outro lado encontramos barreiras como o pouco alcance do bluetooth, sendo assim necessário a instalação de uma antena capaz de amplificar o sinal bluetooth. Percebemos também que os movimentos mais bruscos são facilmente identificáveis nos gráficos, enquanto os mais constantes geram padrões bem definidos que podem ser utilizados para algoritmos de gestures. Sendo assim, decidimos que os movimentos poderão a princípio ser usados de acordo com sua velocidade, intensidade e gestos específicos também poderão ser utilizados para disparo de samples pré-definidos.
O vídeo abaixo ilustra um pouco como o framework de captura funciona. Ele foi desenvolvido pelo André Veloso em Pure Data e Glovepie, ambos softwares livres muito poderosos. O Gloove Pie se conecta aos controles wiimote e repassa os dados em OSC para o Pure Data que gera os logs em WAV de multipistas.
A idéia é criar situações onde movimentos e atitudes dos atores e também do público possam alterar os sons, música do espetáculo. Algo que já fizemos de forma mais simples na performance do Conjunto Vazio no MIP2.
O projeto, porém, não se limita a questões da interatividade. O próprio local do espetáculo é fruto de um outro trabalho de pesquisa com construções de bambu, que são naturalmente mais ecológicas e permitem a construção de ambientes “penetráveis”. Neste caso foi contruído um Domo Geodésico, como na ilustração deste post. Neste domo atores e o público poderão assistir ao espetáculo.
Nossa proposta inicial inclui sensores baseados em arduino, câmeras de visão computacional e controles do wii, como wiimote, nunchuck e wii balance board. O projeto ainda em fase de pesquisa está na coleta de informações. Para isto foi construído um framework que irá coletar dados de movimentação dos atores que posteriormente serão analizados para o desenvolvimento de gestos (gestures) e em varíaveis para alteração de som e iluminação.
No final do projeto será gerado uma documentação livre que poderá servir de referência para construção de espetáculos. Além disso todo código será disponibilizado via licensa GNU/GPL
Neste projeto está envolvida uma grande equipe dirigida pelo Jaime Rodrigues, além de mim e do Marcos Paulo como designers de interação. E do André Veloso como desenvolvedor chefe.
Interessante essa proposta de desktop multitouch. Por um lado se preocupa bastate com ergonomia, mas por outro peca a continuar no modelo de interação mouse e teclado. Não que eu tenha uma resposta melhor nesse momento, mas creio que a função multipropósito (um mesmo tipo de hardware para vários tipos de software) esteja morrendo aos poucos e que dispositivos específicos para funções específicas tendem a ganhar espaço.
Se alguém te perguntasse se conseguiria prestar atenção no que está fazendo, você diria “tudo bem”, mas imagine que tem que prestar atenção em uma coisa e outra ao mesmo tempo. Estudos de psicologia cognitiva dizem que possuímos uma carga bastante limitada de atenção. (Os livros design do dia-a-dia e design de interação reservam seções específicas para este estudo.)
Como podemos projetar experiências que considerem esta limitação cognitiva? Aqui vão alguns pontos:
Mantenha a interface simples, minimalismo e economia.
Deixe as pessoas focadas na menor quantidade de tarefas possível, se necessário separe em passos diferentes uma mesma tarefa.
Hierarquize bem a informação. Se houver uma tarefa principal e as outras secundárias, deixe isso visualmente (ou sonoramente, etc) claro.
Deixe claro os padrões para ações diferentes. (ex: na web deixe links sempre em uma mesmo estilo ou no máximo dois diferentes, diferencie bem estes estilos do texto padrão).
Separei dois vídeos que exemplificam nossa limitação. Ao mesmo tempo são testes. Quer tentar descobrir o “algo mais” que você não prestou atenção? (Tudo bem o segundo é mais uma brincadeira com ilusão de ótica) Vai lá…
Desde o dia 30 de Setembro o Google está liberando alguns convites para o Google Wave. Enquanto isso, resolvi colocar aqui minhas primeiras impressões sobre o software.
A interface tem aqueles fundamentos do Google que tanto fazem sucesso. É rápida, bonita, sem destrair o olhar e dessa vez bastante inovadora e ousada nos estilos de interação. Botões que abrem campos ocultos, links nos rodapés dos waves para gerar replies, scroll baseado no Picasa, entre outros detalhes.
O Gmail funciona em exatidão de minutos ou segundos, o Wave funciona praticamente em tempo real, criar um wave e ir adicionando amigos é muito divertido e me pareceu ser algo bem menos “pesado” psicologicamente que escrever um email. Me pareceu mais humano também, já que se escolhe as pessoas pelas fotos e não por endereços @. Ah! não procure por Gtalk ou email, Wave é Wave, eles não estão presentes no Wave, não existe mais distinção entre chat e email neste caso, porque tudo acontece em tempo real. Enquanto um email é estático, um wave é um work in progress pra sempre, você pode adicionar jogos, imagens, comentários a um wave, tudo sempre em tempo real.
Página inicial
Uma coisa que estranhei foi o scroll utilizado. É um modelo semelhante ao utilizado no aplicativo do Picasa. Me pareceu bem estranho e não consegui ainda ver vantagens no uso do mesmo.
As extensões ainda são poucas, mas já dão uma visão do que poderá ser feito do Wave daqui para frente. Gostei muito da extensão abaixo para convidar amigos para eventos. Outras disponíveis incluem mapas, video conferência, sudoku e clima. Essas extensões permitem a realização de decisões em conjunto de forma rápida e em tempo real. Lembrando que o Google liberou uma API para o Wave, onde qualquer pessoa pode criar seu aplicativo. Imagino que daqui uns meses será possível criar focus groups, apresentações online e design participativo usando a ferramenta. Com certeza vem muita coisa inovadora por aí.
Extensão muito útil para utilizar em reuniões ou encontros
Taí um projeto que me orgulho de ter feito parte. Trabalhei na direção de arte e design de experiência do player web, aplicação iPhone e na customização de redes sociais. Um belo case de inserção digital de uma banda já consagrada. O que rendeu o prêmio de iniciativa na Multishow.