Archive for the ‘Design centrado no usuário’ Category

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Provavelmente você já viu essa imagem. Olhe a diferença do que o cliente pediu para o que ele realmente precisava.

DCU (Design Centrado no Usuário) é uma disciplina que une áreas distintas como psicologia cognitiva, design e usabilidade. Em geral, quando um projeto é desenvolvido, a equipe de design e o planejamento possuem uma visão do que deveria ser e como deveria funcionar um determinado sistema ou produto, chamamos isto de modelo mental. O usuário – em última instância o cliente final – por sua vez, tem outra visão de como deveria funcionar um sistema, ele possui assim um outro modelo mental. Os modelos mentais, num processo de design tradicional, não se comunicam diretamente, a única ligação entre os dois é através da imagem do sistema – o produto propriamente dito, porém o designer nunca recebe feedback adequado do uso do produto. O grande problema é que modelos mentais não são tão fáceis de serem extraídos, em geral tanto usuários quanto designers não conseguem exprimir seus modelos mentais de forma organizada, as metodologias de DCU fazem parte deste esforço.

Entrevista em profundidade é uma das metodologias de DCU, esta difere das “pesquisas de opinião” que geralmente vemos por aí, onde geralmente se pergunta o que o usuário acha sobre alguma coisa e quais conteúdos ou recursos seriam interessantes. Veja bem na ilustração, o que o cliente descreve como necessidade, nem sempre é o que ele realmente precisa - ou gostaria. Nielsen costuma dizer que os usuários não sabem o que querem, eu acho que alguns momentos sim, outros não. O fato é que não podemos nos apoiar em perguntas supostamente objetivas para nos sentirmos confortáveis sobre o processo de DCU.

A forma mais adequada de gerar requisitos é entender os problemas de interação atual, o contexto de uso e as necessidades do usuário. Em geral quando um usuário é perguntado sobre o que quer ele tende a dar uma resposta de coisas que ele pensa ser útil, mas que no dia-a-dia de acordo com seu perfil e situação de uso, não será nem mesmo utilizado. Por exemplo: um cliente pode dizer que gostaria de um conteúdo com boas animações em flash em 3D, mas no fundo ele mesmo não vai acessar por que demora a carregar e o enjoa demais. Sendo assim, o especialista através da análise das entrevistas, em conjunto com outras metodologias, é capaz de gerar os requisitos corretos. Por isto, é importante buscar contornar este problema, procurando fazer perguntas indiretas, no lugar de “o que você quer no novo site?” perguntar: “que tipo de site você visita?”, “Qual conteúdo você busca nestes sites?”, além de perguntar sobre o perfil  – é do tipo conservador? gosta de viagens? qual seu hobby? – e situação de uso.

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No dia 03/09/2009 às 22:00 vou ministrar uma palestra no evento Quinta Digital. O evento acontecerá no Catado de Idéias, Rua Alves Pinto, 295, Grajaú, Belo Horizonte Mapa no Google Maps. A entrada custa R$30,00.

As primeiras 35 pessoas a se inscreverem, e pagarem, ficam no direito de assistir na sala 01, os outros ficam reservados para a sala 02. Na última palestra que aconteceu no Quinta Digital as inscrições foram encerradas com antecedência, então inscrevam-se já pelo site.

Sobre a palestra:
A partir da invenção das GUIs na década de 70 assitimos uma evolução rápida dos computadores pessoais, eles ficaram mais rápidos, mais robustos, mais baratos e cada vez mais portáteis. Porém, até que ponto esta evolução permitiu mudanças de paradigmas de experiência do usuário e interatividade? Atualmente estamos próximos de uma nova transformação. As interfaces tangíveis (ou graspables, ou multimodais) rompem com limites impostos pela imagem do computador tradicional – cpu, mouse, teclado e monitor – e permitem novos estilos de interação, por vezes mais naturais e divertidos. Conheça essas características e uma proposta de framework para criação e avaliação dessas novas interfaces.

Ontem tive a oportunidade de dar uma palestra para pessoas do grupo ALADIM (Alfabetização e Letramento em Ambientes Digitais Interativos Multimodais) e 1maginari0, na UFMG a convite da Marilia Bergamo, minha orientadora no projeto de pós-graduação da PUC. Os dois grupos tem desenvolvido um trabalho muito interessante na área de “novas” interfaces, no caso do ALADIM para educação e do 1maginari0 na exploração da linguagem digital, principalmente voltado para as artes. Fazem parte do grupo estudantes e professores de diversas áreas como Letras, Educação, Belas Artes e Ciências da Computação.

Apresentei o tema da minha (quase pronta) monografia “Além do Mouse e Teclado: Novos Paradigmas de Experiência do Usuário”. A apresentação deu uma geral sobre a evolução das interfaces, desde a revolução das GUIs até às interfaces tangíveis (e graspables). Ficou claro que desde a invenção das GUIs na década de 70 pouco foi alterado em sua essência até hoje, tanto na interface física (mouse, teclado e monitor) como na interface gráfica dos sistemas operacionais. Em seguida demonstrei algumas características das novas interfaces e apresentei uma proposta de framework para avaliação e criação de novas propostas. Ilustrei a palestra com vídeos de exemplos dos meus experimentos e de projetos pelo mundo que tenho publicado aqui no blog. O @vamoss sugeriu de disponibilizar a apresentação, porém em geral só faço apresentação com “figurinhas” e deixo as explicações para serem feitas verbalmente, acho que assim fica mais instigante.

De qualquer forma assim que terminar a mono, vou disponibilizá-la aqui no site. Ok?

Janela impede que a seção feche sem que o usuário queira.

Janela impede que a sessão feche sem que o usuário queira.

Recebi este exemplo através da lista Arquitetura da Informação indicado pela Giselle Rossi. Trata-se de uma janela modal no site de aluguel de automóveis Budget. Achei excelente! Dois motivos para usar esse tipo de recurso:

  1. Evita que o usuário esqueça de deslogar;
  2. Permite que o usuário reestabeleça a sessão. Evita assim a dor de cabeça em sessões curtas demais, onde o usuário pode estar ainda lendo uma página, por exemplo.

Hoje, se um usuário deixa aberta uma página que requer muita segurança ele é automaticamente deslogado, sem qualquer feedback, isso é um grave problema (não avisar o usuário sobre o que está acontecendo) já apontado por Nielsen e diversos estudiosos de usabilidade. Não sei se há problemas técnicos na aplicação desta solução, mas caso não haja, creio que isso deveria ser adotado como um bom padrão web.

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Nem sempre este é o melhor caminho :)

Se uma coisa simples precisa de instruções é porque tem algo errado, já dizia Donald Norman.

Imaginem a situação: um cliente acessa o site da American Airlines, tem uma experiência tão ruim que decide nunca mais voar pela empresa. Bom, este cara é Dustin Curtis, um designer de interfaces que resolver levar a coisa às últimas consequências. Curtis enviou um email e uma proposta de redesign da home da American Airlines para demonstrar o quanto a coisa poderia melhorar. Ele fez isso sem nenhuma pesquisa de design centrado no usuário, apenas baseada em sua experiência, e a alteração é focada em design de interface, ou seja apenas a camada visual do site, mas foi o bastante para levantar uma discussão bem interessante.

Minha intenção é de defender a abordagem de Dustin, nem mesmo se o design dele é melhor ou não. (apesar que sim, achei melhor a primeira vista, mas posso estar enganado). O cerne do problema para mim ainda é a exclusão do usuário no processo de design e o excesso de burocracia nas alterações (mesmo que graduais) que podem acontecer dentro de uma empresa grande.

Abaixo a versão atual (da esquerda) e a versão de Dustin (à direita):

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Clique para ampliar. Versão da direita é o redesign.

O fato é que Curtis recebeu uma resposta do profissional de UX Design (User Experience Design) da American Airlines que demonstrou ter conhecimento, um belo portfolio e ótimas idéias de redesign. Ora, então qual o problema? Burocracia. Processos longos, verticalizados e engessados que impedem qualquer tipo de redesenho, mesmo que este signifique uma melhoria significativa. Esta discussão é longa e praticamente todo mundo já passou por alguma situação parecida. Veja o email de resposta na íntegra (em inglês). O que de certa forma envolve a questão, mas não foi discutido é o papel do usuário. Curtis é também usuário do site, e mais importante que redesigns bonitos, são redesigns embasados, só aí são dois passos enormes. Vamos ver se isso afetará de alguma forma a American Airlines.

Obs: O título do post é uma provocação, porque se formos pensar, quem perdeu foi a American Airlines no final das contas…

Aos poucos vou postando algumas análises rápidas de sites, serviços e produtos onde encontro falhas de interação no meu dia-a-dia. Para começar vou comentar o site da Hermes Pardini um laboratório daqui de Belo Horizonte que tem mais de 20 filiais na cidade. O serviço deles é bom e oferecem inclusive resultado dos exames via internet. Porém, o serviço fica prejudicado pela interface confusa.

1º problema, falta de informações sobre o processo.

Os passos para o acesso não são bem especificados apenas recebi um papel escrito “senha para acesso à internet”. Onde acesso? Qual o login? Enfim, só tirei as dúvidas perguntando à atendente.

2º problema, Flags nem sempre claras

Status de finalizado, pendente ou em andamento, fácil entendimento, exceto pendente.

Status de finalizado, pendente ou em andamento, fácil entendimento, exceto pendente.

Bom, logo que entrei vi uma lista dos exames inclusive os antigos (que não foram feitos agora), a identificação é confusa, o código junto com a data me confundiu por um tempo. As flags de “finalizado”, “em andamento” ou “pendente” (este último não faço idéia do que significa, pendente de quê?) com as cores verde, amarelo e vermelho, respectivamente me deram rapidamente a resposta sobre o status do conjunto de exames.

3º problema, aguardando liberação do exame

O grande problema é: se o resultado ainda não saiu, o que devo fazer?

  1. Será que deixo a página aberta e vou dando “recarregar” ao longo do dia?
  2. Será que salvo a página no favoritos?
  3. Ou ainda será que há um aviso por email?
Lista de exames. Como faço para acompanhar o andamento?

Lista de exames. Como faço para acompanhar o andamento?

  • Opção 1 não é possível pois o login expira e eu perco a sessão, ou seja sou desconectado do site.
  • Opção 2 também não é possível, pois a página é em frames, isto significa que quando eu colocasse em favoritos a página guardada não era a mesma (sem contar que eu teria o mesmo problema de sessão).
  • Opção 3 não existe.
Solução "hackeada"

Solução "hackeada"

Enfim, minha solução “hackeada” foi abrir o frame em outra janela. Isto incrivelmente não me fez perder a sessão!

A Hermes Pardini provavelmente investiu na entrega de resultados pela internet como um diferencial. Realmente, é um serviço excelente, não precisar ir buscar o resultado no local, porém com aplicação de metodologias de design centrado no usuário como testes com usuários e análise heurística, o serviço poderia ser utilizado por mais pessoas e de forma menos complicada. Isso evitaria gastos com atendimento, dores de cabeça e até a migração de clientes para concorrentes.