Neste final de semana consegui um tempinho para ir na exposição Arte Cibernética no museu Inimá de Paula. A exposição faz parte da coleção do Arte Cibernética do Itaú Cultural.
A exposição não é longa, conta com 8 obras, divididas em dois andares. Os trabalhos variam de temática e técnica, e cada um possuía uma ficha explicando como foi feita a montagem. Achei bem interessante, isso deixava claro a técnica e me fez ver que nenhum artista usou Linux ou Mac OS na montagem e nenhum recurso de hardware livre também. Bom, deixando os detalhes técnicos vou falar um pouco sobre minha experiência e sobre os trabalhos.
No geral a experiência foi bem satisfatória, não foi como no Festival de Artes Digitais, que foi bem fraco.
Vi bons trabalhos ali e outros nem tanto. O zelo na montagem também é um diferencial que tanto o Museu como o Itaú Cultural tem seu mérito, apesar de algumas falhas.

Life Writer
O primeiro trabalho que vi foi o Life Writer de Christa Sommerer e Laurent Mignonneau. O trabalho estava em manutenção, infelizmente, mas se o conceito realmente funcionar, então este é sem dúvida um dos trabalhos mais intrigantes da exposição. Trata-se de uma máquina de datilografia, sobre uma mesa, num ambiente com lustres retrô, a cada toque na máquina novos insetos são criados. Mesmo sem poder interagir gostei bastante da solução que tem tudo a ver com interface tangível, já que um objeto físico se torna um objeto interativo através de uma projeção no papel que está inserido na máquina de datilografia. Em cima do papel há insetos que se movem aleatoriamente, como autômatos, cada um com características bem peculiares. Com todo este ambiente criado, o trabalho nem precisava deste título que tira um pouco da sutileza do seu conceito. Escrever nesta máquina é como ser assumir o papel de criador.
O segundo trabalho que vi foi o Pixflow da Lab(au). Quatro telas de LCD empilhadas verticalmente, com um fluxo contínuo de pixels. Como ele não é interativo e me pareceu num primeiro momento um trabalho mais decorativo, acabei passando muito rápido por ele. No entanto, no final dei uma olhada novamente percebi que ele tem uma organicidade muito interessante. Os pixels que se formam nas quatro telas de LCD são como organismos vivos que seguem com tendências de se juntar em fluxos, algumas micro-paredes funcionam como obstáculos gerando sub-fluxos.

Descendo a escada
Descendo a escada de Regina Silveira. É uma instalação que possui um sensor de presença. Quando você entra no ambiente da instalação, uma animação de “descer a escada” é iniciado. Este trabalho esteticamente é muito interessante, mas senti falta de interatividade neste. Como o sensor é de presença, não importa o que você faça, a resposta será sempre a mesma. Se fosse utilizado um tracking de posição, poderia ser gerado uma imagem de acordo com o posicionamento do visitante, por exemplo.
Já no segundo andar vejo o lindo trabalho OP_ERA Sonic Dimensions de Rejane Cantoni e Daniela Kutschat. O trabalho é uma harpa enorme projetada em três telas. Sensores de presença estão espalhados em volta das cordas. Quando encostamos na projeção ou passamos perto dela as cordas são tocadas. A interação do trabalho é muito imersiva, seria ainda mais imersiva se os sensores fossem capazes de identificar a velocidade em que passamos a mão na harpa. O som gerado também não é tão fiel aos movimentos, me pareceu ser inclusive aleatório. Sem tirar o mérito do trabalho, acredito que ele merecia um conceito mais sólido, em alguns momentos penso se ele apenas se baseia no deleite tecnológico, esquecendo um pouco sua inclinação artística.

Reflexão #3
Reflexão #3 de Raquel Kogan. A instalação é constituída por uma projeção com números aparentemente aleatórios e um teclado numérico em fileira instalado na frente da projeção. A primeira coisa que pensei foi “matrix”
, impossível não fazer essa ligação com a cultura pop. O grande problema é que não consegui interagir com o trabalho. Simplesmente não vi nenhuma interferência ao pressionar os botões e acabei desistindo. Ou faltou feedback, ou estava com defeito, ou… sabe-se lá. Enfim, se o trabalho é assim mesmo, faltou refinar no projeto.

Text Rain
Text Rain de Camille Utterback e Romy Achituv. Este trabalho é um poema interativo, as letras caem o tempo inteiro e as sombras digitais dos visitantes servem como apoio para as palavras que estão sendo formadas. A sensação é bem poética, as imagens que se formam têm um apelo estético tipográfico que me remeteu a algumas colagens do dadaísmo alemão. Este trabalho teve um problema técnico, que não sei se é da montagem ou do projeto. Na imagem acima você vê a mesma pessoa com duas sombras, a virtual e a real, isto causa uma confusão no visitante que não sabe qual das duas sombras deve interagir com as letras. Presenciei a confusão de um visitante enquanto estava lá.

Les Pissenlits
Les Pissenlits de Edmond Couchot e Michel Bret. Imagens de dente-de-leão estão sendo projetadas, o visitante sopra e os dentes-de-leão se desfazem. Este trabalho só tenho um comentário: “engraçadinho”.
Memória Cristaleira de Eder Santos. (não achei fotos) Também não é um trabalho interativo, mas gostei do ambiente da instalação. A projeção com objetos do cotidiano me remeteu a algo fantasmagórico, fantástico e a memórias. Porém, creio que a projeção não estava regulada da forma correta já que na foto há imagem projetada na cristaleira e o que vi não foi isso.
Conclusões:
- Alguns trabalhos poderiam proporcionar uma experiência muito mais completa, se tivessem sido utilizados soluções mais sensíveis ao mundo físico.
- Um trabalho de arte e tecnologia nem sempre precisa de interação para se tornar uma obra completa.
- Como ainda a arte e tecnologia é uma área um tanto incipiente, ainda percebo uma falta de formação nos conceitos que permeiam os trabalhos. A tecnologia deve ser um meio e não um fim para os trabalhos, senão deixa de ser uma exposição e vira uma feira de ciências.
Categorias: arte




Koji, muito interessante sua resenha, mas eu acho que você viu as obras com o olhar que nós temos hoje sobre tecnologia e arte. Eu tive a oportunidade de ver essas obras quando elas estavam sendo expostas no emoção art.ficial em sp no itaú cultural. e posso te dizer que quando eu fui a nossa noção de interação, tecnologia eram muito diferentes. por exemplo, quando eu vi essa obra dos dentes-de-leão, eu realmente fiquei instigado pois era uam interação dferente do que se via na epóca. Eu tenho o dvd de umas das exposições e é muito interessante você ver e perceber o que os caras estavam questionando na epóca. Mas umas coisa que eu tive consciência é que antes das coisas irem para o nosso cotidiano, elas sempre permeam as artes pra depois ganhar um contexto usual. Depois podemos bater um papo sobre isso. Abraço.
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Legal!Também fui lá(com o meu papi).Só acho que vc foi meio crítico,porquê eu fui e adorei,mas tudo bem.
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[...] um tempo atrás falei dos trabalhos na exposição Itaú Cultural de Arte Cibernética no trabalho Life Writer uma máquina de escrever era usada para gerar pequenos seres autômatos. [...]